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Foto:Ney Rubens
 
Delegado Edson Moreira (esq) fala sobre a conclusão do inquérito em Minas
Delegado: Bruno planejou morte de Eliza para período da Copa
31/07/2010 - 08:45 h

O delegado Edson Moreira, chefe do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) de Minas Gerais, disse nesta sexta-feira que o goleiro Bruno Souza planejou usar o período da Copa do Mundo, que aconteceu entre o início de junho e o início de julho na África do Sul, para sequestrar e matar Eliza Samudio, sua ex-amante. Para Moreira, o período foi escolhido pela ausência
de jogos do clube Flamengo.

"Já estava tudo previamente planejado desde maio", disse Moreira. Por ter premeditado o crime, o jogador foi classificado como "autor intelectual" da ação. O homem apontado pela investigação como o assassino de Eliza é o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, que teria recebido entre R$ 3 mil e R$ 3,5 mil pelo crime.

Ainda segundo o chefe da investigação, já foi solicitada a conversão das prisões temporárias dos suspeitos em preventivas, que valem até o fim de um possível julgamento.

O inquérito sobre o desaparecimento de Eliza foi concluído ontem. Bruno e mais sete pessoas foram indiciadas por homicídio, sequestro, cárcere privado, ocultação de cadáver, formação de quadrilha e corrupção de menores. O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, apontado como executor, foi indiciado por homicídio qualificado, formação de quadrilha e ocultação de cadáver.

O Ministério Público de Minas Gerais informou que recebeu o inquérito no início da tarde de hoje. O documento tem 1,6 mil páginas e foi entregue ao promotor Gustavo Fantini. Ele tem até o dia 6 de agosto para decidir se oferece denúncia contra os indiciados. A promotoria também pode denunciar ou pedir novas diligências.

O caso

Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime.

Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime.

Todos negam participação e se recusaram a
prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno responderá como mandante e executor do crime. Além dos oito que estão presos, a investigação apontou a participação da atual amante do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, aguarda decisão do Juizado de Menores e pode pegar até três anos de internação.


Fonte: Redação Terra

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